Respiro e sei que de dentro de mim
Bilhões de bactérias atingem o ar.
Minhas mãos percorrem meus bolsos
Vazios
Em busca de esperança.
Não é dinheiro o que procuram.
Dinheiro é divertido
Mas não me faz me sentir melhor.
Bilhões de bactérias atingem o ar.
Minhas mãos percorrem meus bolsos
Vazios
Em busca de esperança.
Não é dinheiro o que procuram.
Dinheiro é divertido
Mas não me faz me sentir melhor.
Uma rotina. É disso que preciso.
Uma rotina no espaço vazio
Do cosmos que somos cada um de nós.
Universos inteiros, habitados e morrendo...
Sinto-me um idiota por pensar tanto.
Não me leva a nada
Apenas cada vez mais para o fundo.
Minha cabeça pesa com um número
Extraordinário e infinito de reflexões
Que no fim das contas
É um amontoado de nada.
Ninguém precisa saber disso.
Ninguém se importaria ao menos.
Não quero que minhas palavras sejam
Depressivas.
Ao contrário,
Quero que de minhas axilas
Brotem violetas amarelas, roxas, vermelhas,
De todas as cores,
Menos violeta.
Falarei contigo a uma distância considerável.
Não quero que engula minhas bactérias.
Quero que elas sejam somente minhas.
E esta mão na frente da boca
É também para evitar que meu dente podre
Salte e caia em seu decote.
É para evitar que o caos
Assuma o controle, meu amor.
Esta poesia parece que saiu de dentro de mim e de dentro de todo e qualquer intelectual que se sente impotente diante do mundo, tão imenso, tão cruel.
ResponderExcluir"Sinto-me um idiota por pensar tanto./Não me leva a nada/[...] Minha cabeça pesa com um número/Extraordinário e infinito de reflexões/Que no fim das contas/É um amontoado de nada.[...]"
Não se é isso o que vc quis transmitir, mas me sinto bem mais leve por esse meu desabafo indireto através de sua poesia. Mas acho que essa é mais uma função social do poeta: vomitar aquilo que embrulha o estômago da nação.
Parabéns mais uma vez, vc é incrível como sempre.