sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Querer te querer,
ter você e não ter
ver você e não saber
sonhar e ao mesmo
sonhar
esperar num tempo de loucos
ser ao menos e tanto quanto
ao mesmo tempo
saber que é para sempre
e sempre saber que a primeira,
e ser a primeira mesmo
em sonhos loucos
ter você e ter outra vez
querer você e tentar
tentar e nunca conseguir,
conseguir e sempre pedir
com olhos de fome
fome desmedida
de devorar tuas
entranhas mais profundas,
entrar em tua virgindade,
em tua mocidade, em você fazer
minha casa, te dar asas
acompanhar teu balé
dançar a música que nasce
tremula em teu seio
captar todas as cores
que exalam do seu cheiro
Querer te querer
ter você e não ter
saber e resistir,
resistir e perguntar por quê?

(José Maria)

2 comentários:

  1. Um poeta humano fala às avessas
    Interpreta calorosamente
    O sentimento puramente humano
    De duvidar, de buscar, de desejar.
    Alma que sofre
    Que busca o seu remédio.
    Alma latejante
    Que murmura por socorro.
    Alma insana, louca como o poeta.
    Por que poetisar
    É tentar interpretar o complexo
    Transformando-o em simples palavras.
    Doces palavras
    De amargura contida
    O amargo que deseja ser expelido
    Compreendido
    Sugado
    Absorvido
    Sanado.

    Você, poeta, foi muito feliz em sua poesia. Ela tem um rítmo próprio, que acompanha a idéia central dela: confusão, dúvida, desejo contido, o velho "ter e não ter" do ser humano, a velha história de nunca conseguirmo tudo por inteiro. Nós, seres humanos, sempre temos tudo pela metade, nada é completo e adoravelmente perfeito, por que a vida é imperfeita na sua complexidade. O amável sempre carrega o ódio. O prazer sempre carrega a dor. E assim por diante.Parabéns mais uma vez, poeta! Adoro seu trabalho. Admiro muito seu talento, espero que não pare nunca de produzir e de evoluir em sua escrita, como tem feito. Parabéns! Sou sua fâ nº 01! bjs

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