quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Se não escrevo mais

Não é por falta de sentir,

Mas porque sinto em excesso.

Os sentimentos estão

Cada vez mais

Complexos,

E as palavras

Cada vez mais

Escassas.

O mundo, o futuro,

As promessas de vida,

O sonho de consumo

Tudo esfumaçado.

Quem sabe amanhã

Ao acordar tenha algo

Suspenso sobre minha cabeça.

Algo que me lembre

Tudo que venho esquecendo.

Algo vivo que me ensine

O que é a vida.

E que me faça ver

Que a arrogância de querer ser a si mesmo

Às vezes se perde na homogeneidade

Das multidões.

E que o preço da sinceridade

Às vezes é a solidão.

Se não escrevo não é porque

Deixei de sentir,

E sim porque venho diluindo-me

Cada vez mais

Na normalidade moral,

Social, sexual, material

Desta sociedade

Tortuosa e torturante.

(Jorge Elô)

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