domingo, 8 de julho de 2007

Bomba Atômica

O que sinto não cabe na métrica

Dos poemas.

Não sinto o que sinto

Em rimas!

Meu amor não priva pela forma.

O que sinto não está definido

Nas paginas do dicionário.

A estética do meu amor é

disforme.

Não te amo em sonetos.

Meu amor é mais bruto,

Feito de carne, sangue e

Suor.

É como um eclipse

Que me venda os olhos por alguns minutos.

Amo-te então

Com a mesma força

Do sol,

Que nos proporciona

Envelhecimento precoce

E câncer de pele

Ao mesmo tempo que nos ilumina e

Aquece.

Amo-te então

cada dia um pouco mais.

Estão sendo injetadas em mim,

Diariamente,

doses suas

e

às vezes

são doses cavalar.

Então

chegará o dia em que

não caberá em mim tanto amor.

E,

neste dia,

tornar-me-ei

uma bomba atômica.


(Jorge Elô)

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