Escrever é como livrar-se
das doenças que perturbam minha existência.
É como tecer uma amanhã
dentro da madrugada.
É tornar-se espelho
aos olhos de quem lê,
refletindo
tudo aquilo que não foi
pensado no ato da escrita,
mas que permanece independente
da vontade do
escritor.
É acordar vomitado,
ainda bêbado, bem
longe do lar,
e ainda assim se sentir vivo,
em uma espécie de êxtase,
onde a depressão e a alegria
disputam por seu espaço.
É tornar eterno um único sentimento ou
pensamento,
na tentativa de materialização
do abstrato.
É
poder falar mesmo após a morte.
É um querer continuar vivo
enquanto o corpo apodrece abaixo da terra.
Poder reviver o que não foi vivido e
um desabafo que não posso
viver muito tempo sem
fazê-lo.
(Jorge Elô)
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