sábado, 7 de julho de 2007

ESCRITA


Escrever é como livrar-se

das doenças que perturbam minha existência.

É como tecer uma amanhã

dentro da madrugada.

É tornar-se espelho

aos olhos de quem lê,

refletindo

tudo aquilo que não foi

pensado no ato da escrita,

mas que permanece independente

da vontade do

escritor.

É acordar vomitado,

ainda bêbado, bem

longe do lar,

e ainda assim se sentir vivo,

em uma espécie de êxtase,

onde a depressão e a alegria

disputam por seu espaço.

É tornar eterno um único sentimento ou

pensamento,

na tentativa de materialização

do abstrato.

É

poder falar mesmo após a morte.

É um querer continuar vivo

enquanto o corpo apodrece abaixo da terra.

Poder reviver o que não foi vivido e

um desabafo que não posso

viver muito tempo sem

fazê-lo.



(Jorge Elô)

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