sexta-feira, 20 de julho de 2007

Uma caneta
Escrevo, reescrevo
Distraído na leveza das coisas simples
Empolgo-me com todos os advérbios
Não, nunca, jamais, absolutamente
Aqui, lá, perto, longe
Palavras
Certo do tempo que corre
Certo do amor louco de sábado
Distraído
Cheio de todos os venenos
Palavras
Enrolado com todos os adjetivos
Borboletas, a borboletrar meu nome
E tudo é tão vazio e escuro

(José Maria)

3 comentários:

  1. fui levada pela cadência simples e envolvente de suas palavras vômitos! Chamo-as de palavras vômitos porque é como se elas desprendessem do ti, de lá de dentro, e como num surto de pura simplicidade, acabassem tomando corpo em forma de poema.
    Caro José Maria, de todos os poemas seus que já encontrei postado por aqui, este é o que mais me identifiquei, talvez porque seja perto da minha forma de escrita (também costumo escrever distraidamente), ou porque sinto o viver como um conjunto doido de palavras que representam o vazio e o escuro da vida realmente vivida e apreendida...

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  2. adoreiii essa!
    "certo do amor louco de sabado"
    heheheeheh

    amu o poeta mais poeta de todos os poetas jose mariaaaaaaaaaaaaa

    =**

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  3. Adorei a maneira solta como o José Maria conseguiu compor estes belíssimos versos. Imaginei-me envolto em sua própria atmosfera poética, convidado a viver amores loucos de sábado e a encher-me de todos os venenos! Parece que ele viaja dentro de si mesmo e consegue trazer dessa viagem belíssimas experiências existenciais, comunicando-as sem elos gramaticais, ele aproxima as palavras à idéia original, perfeito valeu mesmo adorei!!!

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