Agora que meu corpo
Decompõem-se dentro
Deste caixão de madeira,
Deixo ao meu filho
Este testamento.
Deixo-lhe o
Mundo em caos,
E debaixo do meu colchão,
Algumas playboys.
Deixo-lhe hortelã
Para que faça um chá,
E contas pregadas na porta
Da geladeira.
Deixo-lhe Marx
Mofando na estante e
Uma TV em cores.
Deixo-te livre para decidir
Sobre meu corpo,
Assim como sobre o cardápio
A ser servido no dia
Do meu velório.
Deixo-te livre para escolher
O destino de minha alma,
E a forma de sofrer os castigos.
Estás livre para me
Vestir o corpo com terno
Ou me enterrar nu.
Deixo-te livre.
Deixo-te ainda o cheiro do
Meu cabelo após o banho.
Deixo-te vivo. Deixo-te capaz de viver.
Só não te deixo dinheiro,
Pois gastei tudo nesta vida
O que acabou me matando.
(Jorge Elô)
Nenhum comentário:
Postar um comentário